"El Castelhano"

Mientras preparaba el B2 de portugués hace un par de años escribí este cuentecillo de terror.

Enquanto estava a estudar para o exame do B2 de português há dois anos escreví esta pequena história de terror.

Foi na altura da noite do São João do 1937 que disse isto se passou. Ainda vivem numa pequena aldeia do município de Bragança, já muito idosas, as que sendo meninas conheceram a história de  “El Castelhano”, mas ainda passados mais de 80 anos não gostam de falar apesar do longínquo da data em que aconteceu.

Ele chamava-se Manuel Alcantarilla e nascera numa fazenda em Villalar no 1915, filho duns camponeses que fizeram algum bom dinheiro na Argentina, mas enquanto morou em Portugal foi nomeado “El Castelhano” pela sua origem. Ele cruzara a fronteira em novembro de 1936 para fugir da Guerra Civil espanhola mas não havia pessoa nenhuma quem soubesse com certeza a sua história. Uns diziam que ele fora militante do anarquismo e que os fascistas queriam-o prender, mas outros pensavam que ele era um rico que ficou na ruína porque os comunistas tiraram-lhe a fazenda, mas tudo era falar por falar e inventar já que ninguém conhecia a verdade.

Por meses esteve “El Castelhano” a morar na vila de Bragança, sem trabalho conhecido mas a gastar muito dinheiro em festas e vinhos. Ele era mesmo bonito, muito cortês  e espantoso dançarino e as mulheres da sua idade ficavam namoradas pelo seu charme. Os outros jovens da vila piraram da cabeça quando ele se namorara com a Joana, uma moça de 18 anos de formosa cabeleira castanha e grandes olhos pretos, muito meiga ela, de facções de muita beleza e, também, filha dum rico comerciante da vila e sobrinha também do autarca dum município vizinho. O pai da moça não ficava contente, mas ele já pensara em mandar a sua filha a estudar na Universidade de Coimbra após o verão e tinha a certeza de que ela teria de esquecer-se lá daquele namorado que só gastava dinheiro em tabernas.

Foi na manhã do 22 de junho que o pai disse à filha que tinha uma vaga na Universidade e que no mês de agosto ela teria de deslocar-se já para a casa de uns primos em Coimbra onde havia de morar enquanto estudava. A moça sentiu-se confusa, ela gostava de seu namorado mas também a ideia de conhecer uma nova cidade e de poder atingir um trabalho como doutora em medicina eram coisas que ela via atrativas.

A Joana foi falar com “El Castelhano” para lhe contar as novas sobre os seus estudos mas este não gostou. Ele falou sapos e culebras do pai e das mulheres que queriam estudar e trabalhar e, após isso, fez uma proposta a Joana: roubar o dinheiro e as jóias da família e fugir juntos num barco até o Brasil ou a Cuba. A moça não entendeu e ficou machucada pelas palavras do seu namorado.

Nessa noite do 22 de junho alguns vizinhos da vila ouviram na noite um cavalo a correr muito rápido. Na manhã do 23 os gritos duma mulher atingiram os ouvidos da população, era a criada da família da Joana que nessa manhã achou ela e o pai mortos, com duas facadas nas costas. Os vizinhos foram na procura do namorado mas nem ele nem coisa alguma das suas pertenças puderam achar. A notícia correu bem as pressas e não tardou em ser conhecida pelo tio da Joana, que ordenou que a polícia toda começara a procura do suspeito criminoso. Os homens das duas vilas foram na caça do nomeado assassino, uns por sentido da justiça e outros com ideia de receber algum pagamento do rico autarca, destrozado pela dor da morte de seu irmão e sua sobrinha. O poder daquele homem era muito, e até o engenheiro Álvaro da Lima Henriques foi avisado para procurar ao criminoso nos comboios e estações de todo Portugal. Mas “El Castelhano” era muito esperto em fugidas e por isso escolheu percorrer os montes nos lombos dum cavalo, imitando a forma que usara para fugir até Portugal. Ele cavalgou até que o animal ficou sem forças e, sabendo que estariam já na sua procura, decidiu seguir a caminhar. Ele sabia  que tinha de esquivar as grandes vilas para fugir da a polícia, e a sua ideia era chegar até o sul e pegar um barco até Marrocos, morar no Tânger enquanto gastava o dinheiro roubado.

Quando começou a caminhar a névoa tingiu de gris o ar ao redor dele e os caminhos voltaram-se confusos. O fugitivo começou a sentir que as coisas estavam a se lhe trocar na contra. Por seis horas ele andou por caminhos entre os pinheiros até que viu um velho cruzeiro que conhecia muito bem, e então compreendeu que estava a caminhar na direção contrária, e que desfizera o caminho ganhado. A névoa era cada vez mais fechada e o sol começava a se ocultar. As muitas horas de caminho e carga faziam que “El Castelhano” tivesse dores nos joelhos e ficava já fatigado. Quando a noite pintou o céu de cores pretas ele já não fazia ideia de que caminho seguir e decidiu procurar um abrigo onde dormir. Ele achou uma cova e decidiu guardar-se nela.

Dizem as que recordam ainda essa noite do São João que os lobos uivaram a noite toda. No dia seguinte um grupo de homens que procuravam ao fugitivo acharam o seu corpo fora da cova onde se escondera. Alguém tinha tirado a língua da sua boca e metera-lhe as jóias dentro dela. Os seus olhos mortos tinham ainda o reflexo do medo aterrador. Há quem pensa que foi algum amigo das vítimas quem lhe deu tal morte, mas também há quem diz que na noite do São João as almas dos defuntos andam pela terra, e algumas têm contas que saldar.

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